terça-feira, 24 de agosto de 2010

Coração de Mãe

Minha mãe tem um coração que não é apenas dela. Mas de todos que dele se achegam e tomam posse, mesmo sem pedir licença, sem pedir um pedacinho. Talvez esse pedacinho não tenha mesmo que ser dado, mas conquistado. As pessoas conquistam um pedacinho do coração de minha mãe, conquistam porque merecem, porque precisam; conquistam porque Coração de Mãe sempre cabe mais um...
Assim vejo nossa Administração: como um Grande, Enorme coração de Mãe, no qual sempre cabe mais um. Aliás, sempre cabe mais um, dois, três, quatro e em que número mesmo eu me encaixo? Ah, e você em que número se encaixou?
Coração amável e acolhedor, sempre disposto a ajudar os “filhos” que recorrem á seu colo precisando de um acalento, um carinho de mãe. Filhos, nós que não querendo enfrentar o mundo, nos voltamos para debaixo da saia da mãe e ali nos mantemos seguros e esperando que um dia o sol volte a brilhar...
E que grande tem sido a saia de nossa Mãe. “-Venha filho, mamãe coloca, ajeita um lugarzinho para você-“. E assim vamos nos amontoando, um a um na grande saia rodada da Mãe pública.
Mas caro leitor, brincadeiras e metáforas a parte, vamos conversar um pouco: Estamos aqui dividindo algo que se não fosse um assunto tão sério, chegaria a ser hilário, ou talvez chegue a ser hilário por ser tão sério, como aquela expressão: ”_ Só rindo para não chorar...”
Lembro- me certa vez quando ainda bem garoto, com meus exatos 9 anos, e você meu amigo leitor que desse tempo também divide lembranças há de se situar. A saia de nossa Mãe era bem menor, creio que ela abrigava cerca de exatos 98 filhos. Não deixa de ser um número expressivo para a época, mas atentem quem, eram filhos que cumpriam funções reais, necessárias, sem uma fila imensa de irmãos para dividir tarefas que mal tem funcionalidade dentro da Saia Dela...
Mamãe resolveu se casar, resolveu acolher os filhos pródigos, resolveu se reconciliar com enteados, sobrinhos, netos, amigos, parentes próximos, parentes que há muito não via, parentes de parentes e até mesmo mamãe adotou filhos idosos, já aposentados, apelas pelo simples fato de que Amor de Mãe é incondicional e para todos.
Gostaria de esclarecer meus amigos que Mamãe também me acolheu quando muito precisei e nesse momento quero prestar meus mais profundos e sinceros agradecimentos por Ela ter me dado um lugar, me posto no bolso, ou mesmo ter me pendurado no “rodapé” de seu avental.
Dizem que para uma Mãe todos os filhos são iguais. O amor é sempre o mesmo e que ela nunca tira da boca de um para dar ao outro. Pelo menos a minha mamãe de verdade é assim. Aliás, falando em Mãe de Verdade, não poderia deixar de expor aqui todo o Amor, Carinho, Admiração e Agradecimento que devoto á aquela que além de ser minha mamãe de verdade, também é filha da Grande Mãe Pública.
Seguindo essa linha de raciocínio, seria então a Grande Mãe Pública minha avó? (risos...).
Brincadeiras a parte, a questão é que: Essa Grande Mãe já está com as saias justas. Seus filhos mais velhos já estão se tornando filhos rebeldes COM causa, mas Mamãe é tirana e absoluta. Não gosta que seus filhos desobedeçam a suas ordens e exigem devoção absoluta para com Ela.
Ultimamente Mamãe tem magoado muito á seus filhos. Tem SIM, valorizado filhos pródigos, filhos de caráter duvidoso, filhos de conduta suspeita e deixado seus filhos que a tanto “a” ajudaram com migalhas e sentimentos de abandono. Filhos que ajudaram a bordar a saia da Bisa, da Vovó e de outras mães.
Essa nossa Mãe quis abrir um orfanato, abrigando todo tipo de filho, empregando – lhes tarefas inexistentes apenas pelo simples fato deles a devotarem e em troca de um pequeno e forçado favor: O (de) VOTO...
Não entraremos nessa questão dos favores feitos e retribuídos. Creio que se até lá mamãe não me punir, poderemos conversar sobre isso!
Mas meus “irmãos” de Mãe Pública, o que eu quero dizer é que: Mamãe não é mais a mesma. Nem mamãe nem suas comadres, que não apenas conversam sobre seus filhos enquanto jogam buraco numa noite após o jantar. Nossa mãe e suas comadres estão jogando os próprios filhos e a própria casa no buraco, pois fizeram de nós o seu jogo favorito. E nesse jogo não são os jogadores que perdem e ganham, mas sim nós os filhos, as cartas do baralho que sempre somos usados, descartados e substituídos ao seu bel prazer...
E quem fica, quem ficou, além de ter sido esquecido como filho, é agora usado como uma carta de baralho e não é mais o filho que Mamãe colocava debaixo da saia. Agora meu amigo, você se tornou o próprio pano que esconde o que nossa Mãe não que mais mostrar.
Mamãe esqueceu-se de lavar as saias e agora as sujeiras já não saem mais como antes e estão grandes demais para não serem notadas. Seus filhos tornaram – se peneiras para tapar as sujeiras que a luz do sol não pode exibir nas pregas das saias Dela. Mas, como toda peneira, há buracos que não protegem do sol e como toda mãe, sempre há de lidar com UM filho rebelde...
É Mamãe, as lojas já não lhe vendem mais saias novas porque creio que até para isso a Senhora perdeu o crédito. As costureiras já não dão conta de costurar um pano tão grande e que precisaria ser mais reforçado do que titânio.
Oh, como fui ingrato e rebelde. Senti-me com um peso enorme na consciência. Creio que seria minha obrigação nesse momento pedir Desculpas a Mamãe. Desculpe Mamãe, sou apenas mais um filho que foi tão exprimido em suas pregas que acabei caindo e perdi sua proteção. Hoje vago sem rumo e sem destino pela vida, sem poder, mas principalmente SEM QUERER voltar a morar com a Senhora.
Quem sabe, Mamãe, um dia eu volte para visita- la. E melhor, aproveito a visita e revejo suas comadres que tomam mais conta de suas saias do que de suas próprias calças.

Com Amor e Respeito: Um de seus filhos (ou que já foi um dia)

5 comentários:

  1. nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, qe lindo isso *----------------------*

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  2. nuuuussssssssssssaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa é isso ai cara!!!!!!!!!!!!!!!!

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  3. Infelizmente a pura verdade, mas vale algumas considerações: sua mãe TRABALHA, é concursada e vive do seu trabalho, que diga-se de passagem é sofrido e mal remunerado, então não vive na saia da "MÃE", e tanto vc assim como eu um dia não estávamos na sai da "MÃE", estávamos trabalhando pelo bem do povo e da nossa cidade, tentando levar um pouco de dignidade, honestidade e bem estar aos nossos moradores. Ahhhhhh, mas esse tipo de filho a "MÃE" não quer pelo contrário ela põe pra fora de casa.

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